terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desafino, desatino

Eu prefiro as mensagens não respondidas
Para a desilusão reinar
Que conforto é não ter as preces atendidas
Pra não precisar fazer gestão dos seus processos
Pra não precisar pagar impostos
Nem pedir empréstimos.
As mensagens não respondidas são as melhores
Faz esquecer que as enviamos
E é preferível não misturar as coisas
De novo
Nosso amor agora é unidirecional
Não tem resposta
Não entraremos na orquestra novamente
Seria equívoco
E não precisamos de migalhas

Meu eu doentio

Meu amor,
Me dê um beijo
E eu esqueço
Tudo que fez.
Como num deserto
Esqueço o inverno
E o inferno que foi
Sem ti.
Meu amor,
Antes de tudo
Queira voltar
Queira desesperadamente voltar
E então me peça:
"Go back, baby!"

Flerte

Que saudade dos joguinhos de amor
Dos sorrisos furtivos
Do cabelo jogado
Em olhares furtivos.
Que saudade da falsa casualidade
Da falsa bondade
De dizer coisas
Por dizer.
Saudade desse negócio de mão no cabelo
De olhar desviado
E sorriso furtivo.
Que coisa instigante é esse quer-não-quer
Esses elogios sem motivo aparente
Esse longo caminho antes do finalmente
Que felizmente
Tarda por vir.

sábado, 30 de outubro de 2010

Nota de rodapé

Sempre acreditei que estava imune a bala perdida, doença grave, tempestades várias e assalto a mão armada. Foi então que "o amor me pegou, puro e verdadeiro".

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sem motivos para poesia

Dentro de mim não havia motivos pra poesia
Eu sou prosa
crônica
sou prolixa
falo alto
Não possuo o dom dos intimistas
que guardam para si tons impressionistas
Não sei cortar as palavras
para provocar melhores efeitos
Eu sou das frases reiteradas
Dos efeitos prontos
E ultimamente é que não havia motivos pra poesia
Nenhum abalo sísmico em mim
nenhuma perda
nem reencontro
nem feridas
Apenas algo morno como cicatrizes
Apenas a dúvida:
morna vida é vida morta?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fita o passado

A fita do Senhor do Bonfim rasgou
Os pedidos realizariam-se hoje
Talvez à noite
Eu os esperasse sentada
Discretamente arrumada
Como quem espera um romance
a cada olhar.
O momento é mágico
Como esperar desejos antes sonhados
no passado?
Imagino desconhecê-los
enquanto desconfio de suas causas
e efeitos
Hoje os pedidos não se justificariam
sua realização é nula
retrocesso
contra-senso
A fita do Senhor do Bonfim acusa o passado
de infame
tolo
despropositado
enquanto o define gigante
Esperarei a queda das outras fitas
pra descobrir que no futuro
o passado não importa

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A mudança

Mudanças me desestabilizam
Gêmeos que sou
Elas me agradam
E em meus cabelos se agarram
pedindo para que as adote
as tome posse
Sempre inconformadas
Quando longe de mim.
Então eu sorrio largamente
Visto-as prontamente
E as incorporo quase que de imediato
Mas o que as mudanças não sabem,
talvez seja até segredo de estado,
É que elas me desestabilizam
E se em mim ficam
É porque, por mais que resista,
A mudança sou eu