sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

E que vivam os ambulantes!

A pipoca encontra-se

na mesma classe

Da jujuba

e avoador

Poderia dizer que até

do algodão-doce

Mas seria equívoco:

pois, se doce

enjoa

Se enjoa

Não pode pertencer

.

À classe

Da Jujuba

Avoador

Pipoca

Classe inventada pelos publicitários,

Digo

.

Da fome interminável-insaciável

Do não-sossego

Do “tenho que pôr fim à angústia e descobrir o fim”

Do pacote

Que enorme

Nos entope

O coração é mais brega que o amor

A palavra “coração” é brega. Digo isso porque, pensando em escrever o verso “eu queria achar a saída de emergência do meu coração” e encaixá-lo em alguma estrofe, fui impelida a descartar a ideia. Não pude continuar. Culpei o coração.

Coração (ao menos a palavra) é brega, e tende a rimar com emoção, compaixão, doação, solidão, ilusão, canção, samba-canção (!). Tesão? Não, coração é tão brega que não rima com tesão. O amor não, ele é até bonito. Amor rima com ardor, ou mesmo com pensamento ou silêncio. O bonito do amor é que ele é independente, não se prende a rimas mesquinhas.

Diante do dito, façamos bom uso do coração.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

Repetição

Um poeta se repete

Como o pôr-do-sol

As mesmas palavras

O mesmo ritmo

O mesmo poeta

Perplexo

Ao ver o sol se pôr

Dis Torcida


Transferência de responsabilidades

Expectativas similares

Esperança

....................Doce

Ilusão

O café na cama

A roupa no chão

A doce

ilusão.

Não existe mentira

ou verdade

É tudo questão de vaidade

ou expectativa

Dis

.............torcida

De

.............torcida

Do coração

Torcido

Que turbeculoso,

De tanto amor,

tosse.